Pocoyo, Martha Stewart e brownie para um dia nada fácil

Um preâmbulo: o Jedi que mora em casa, um ano e dois meses de vida, está com quatro dentes nascendo ao mesmo tempo. Isso mais o calor escaldante dos últimos dias resulta num bebê chatíssimo, berrando a todo volume por qualquer coisa. Os vizinhos, se não me conhecessem, poderiam estar a um passo de chamar a Vara da Infância e Juventude para intervir. O marido passou a dormir com tampão de ouvido.

Por conta isso, quando o tampinha com complexo de Placido Domingo e gengivas inchadas acordou às cinco da manhã – aos berros – eu tinha que fazer alguma coisa para salvar o que restava da minha sanidade mental.

E fiz. Peguei meu livro da Martha Stewart e fui fazer brownies.

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Sobre a Martha Stewart.

Ela me deixa um tanto incomodada, confesso. Eu não sou muito boa em decoração, e embora tenha trabalhado bastante tempo com revistas e sei como funciona uma produção de fotos, sempre fico imaginando que todas coisas bonitas que aparecem nas revistas dela são perfeitamente factíveis com um pouco de boa vontade, tesoura e cola…  Quando na verdade o principal ingrediente, habilidade, nunca vem listado.

Enfim. O fato é que as receitas que Ms. Stewart publica são, sim, muito factíveis e bem gostosas, ainda por cima. E o livro de biscoitos dela é uma bíblia para esfomeados, ramo no qual me incluo. Aqui em casa, mede-se a popularidade de uma receita pelo nível de sujidade das páginas. As receitas de brownie são as mais sujas do livro inteiro. Logo…

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Sobre os brownies.

Quando estava grávida do pequeno Jedi, após o tenebroso primeiro trimestre (em que eu enjoava dia, tarde e noite), eu fiquei com neura de comer brownie. Desejo de grávida é sagrado, e, de tanto que queria, acabei comprando uma forma de 20 cm x 20 cm só para fazer o dito doce quantas vezes me desse na telha.

Melhor investimento que fiz na vida, provavelmente. Depois que nasceu o garotinho, meu cérebro virou patê por uns bons três meses. A única coisa que eu conseguia fazer, porque não requer prática, habilidade nem ingredientes esdrúxulos, era justamente… Adivinhe? Brownie!

Não foi à toa, portanto, que a lembrancinha do primeiro aniversário do tampinha foi justamente brownie, servido em uma marmita do Pocoyo.  Eu me dou ao direito de fazer piada com meus problemas.

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Sobre o Pocoyo.

Aqui em casa, não assistimos muito televisão. E, já sabendo que vou pagar de mãe chata, digo: aqui a telinha não é babá e ponto final.

No entanto, abro exceção para o Pocoyo – que conheci porque o Stephen Fry, um dos meus heróis, é o narrador do desenho na versão em inglês. O desenho é esperto, bem-feito e entretém tanto o Jedi quanto os adultos responsáveis por ele (o pai do tampinha é fã do Pato, o mal-humorado companheiro do Pocoyo).

Tenho uns dez episódios baixados e estocados no computador, para caso de extrema emergência. Hoje foi caso de extrema emergência. Teve uma hora que o mini Pavarotti já estava ficando roxo de tanto que chorava, e nada resolvia – nem o rádio que ele adora, nem os brinquedos favoritos, nem mesmo reza brava. O jeito foi sentar com ele no colinho e dá-lhe Pocoyo. Traduzo o Stephen Fry na medida do possível, vamos dando risada e o baixinho se acalma e volta a ser o garotinho animado, curioso e risonho de sempre. Pelo menos por enquanto.

O episódio favorito do Jedi aqui de casa, dublado em português. A cara de sono do Pato anda igual a minha por esses dias.

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O brownie foi um limpa-estoque: gengibre que estava dando cria na gaveta de legumes, o chocolate que foi comprado há séculos, o resto de açúcar do pote, a metade da barra de manteiga que eu não ia usar pra nada mesmo. Tudo isso sujando apenas uma panela, bem o tipo de coisa que eu gosto.

Poderia terminar o texto tecendo loas à maternidade e ao fato de que tudo voltou ao normal, ou pelo menos o mais normal possível dado o cenário. Se não se importam, passo. Agora que a casa está quieta, vou tratar de fazer um café bem forte para espantar o sono e recarregar as energias para a hora que o Jedi acordar.

Para fazer: Chocolate-ginger brownies, no site da Martha Stewart. Não é para crianças!

Para assistir (e rir): Pocoyo e amigos dançam e cantam o Gangnam Style

Falando abobrinhas

Todo mundo fala abobrinha em algum momento – é tão saudável quanto comer as ditas-cujas. Levar-se muito a sério e não comer vegetais encurtam a existência de qualquer um. Mas por que, exatamente, o ato de falar bobagens é chamado assim?

Tem a ver com a excelentíssima cédula abaixo ilustrada:

Para os menores de 45 anos no recinto, permitam-me a apresentação: esta é uma cédula de mil cruzeiros, estampada com a imagem de Pedro Álvares Cabral. Circulou no Brasil entre 1942 e 1967, e tinha o singelo apelido de “abobrinha”, por conta de sua cor discreta. Atrás tem uma reprodução do quadro “A Primeira Missa no Brasil“, de autoria de Victor Meireles (eu sempre achei que a pintura era do Pedro Américo… Viva São Google!).

Se vocês são bons de História, vão sacar que o cruzeiro foi desvalorizado trocentas vezes durante as várias crises econômicas que tivemos no país. Logo, as belas e chamativas “abobrinhas” – que eram as cédulas de maior valor em circulação – não valiam um tostão furado e perderam os zeros, comidos pela inflação. Daí que falar coisa que não era importante era como falar das “abobrinhas”. E daí vocês calculam o resultado: expressão idiomática mais duradoura do que a grana que a iniciou…!

Para comer: a receita de abobrinhas recheadas do blog Figos & Funghis – bem próxima da receita da senhora minha avó, Líbano praticamente D.O.C. 🙂

Para conhecer os companheiros da “abobrinha”, como o barão e outras notas de cruzeiro do tempo dos seus pais e avós, dê uma chegada no site do Nosso Dinheiro Através dos Tempos