Falando abobrinhas

Todo mundo fala abobrinha em algum momento – é tão saudável quanto comer as ditas-cujas. Levar-se muito a sério e não comer vegetais encurtam a existência de qualquer um. Mas por que, exatamente, o ato de falar bobagens é chamado assim?

Tem a ver com a excelentíssima cédula abaixo ilustrada:

Para os menores de 45 anos no recinto, permitam-me a apresentação: esta é uma cédula de mil cruzeiros, estampada com a imagem de Pedro Álvares Cabral. Circulou no Brasil entre 1942 e 1967, e tinha o singelo apelido de “abobrinha”, por conta de sua cor discreta. Atrás tem uma reprodução do quadro “A Primeira Missa no Brasil“, de autoria de Victor Meireles (eu sempre achei que a pintura era do Pedro Américo… Viva São Google!).

Se vocês são bons de História, vão sacar que o cruzeiro foi desvalorizado trocentas vezes durante as várias crises econômicas que tivemos no país. Logo, as belas e chamativas “abobrinhas” – que eram as cédulas de maior valor em circulação – não valiam um tostão furado e perderam os zeros, comidos pela inflação. Daí que falar coisa que não era importante era como falar das “abobrinhas”. E daí vocês calculam o resultado: expressão idiomática mais duradoura do que a grana que a iniciou…!

Para comer: a receita de abobrinhas recheadas do blog Figos & Funghis – bem próxima da receita da senhora minha avó, Líbano praticamente D.O.C. 🙂

Para conhecer os companheiros da “abobrinha”, como o barão e outras notas de cruzeiro do tempo dos seus pais e avós, dê uma chegada no site do Nosso Dinheiro Através dos Tempos

 

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